“O MODELO DOS MODELOS” de Ítalo
Calvino e as relações com o AEE
“Houve na
vida do senhor Palamar uma época em que a regra era esta: primeiro construir um
modelo na mente, o mais perfeito, lógico, geométrico possível; segundo
verificar se tal modelo se adapta aos casos práticos observáveis na experiência;
terceiro; proceder às correções necessárias para que modelo e realidade
coincidam”.
Comparando esse trecho
com o AEE, não podemos e não usamos regras para atender nossos alunos. “Construir um modelo”, isso não existe, trabalhamos com seres humanos e ninguém é
igual a ninguém. Cada um tem um pensamento diferente. Nosso trabalho não é de
corrigir e sim de ajudar a cada um em suas dificuldades, habilidades e
potencialidades de acordo com suas necessidades.
“A regra do senhor Palomar foi aos poucos se modificando:
agora já desejava uma grande variedade de modelos, se possível transformáveis
uns nos outros segundo um procedimento combinatório, para encontrar aquele que
se adaptasse melhor a uma realidade que por sua vez fosse feita de tantas
realidades distintas no tempo e no espaço”.
Este parágrafo podemos
comparar com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da
Educação Inclusiva. Esta política propõe esse novo olhar para a Educação
Especial que propõe e obriga as escolas receberem todos os alunos com ou sem
deficiência. Este documento reconhece que é possível transformar, só precisa
buscar com paciência os elementos combinatórios para as diversas realidades.
Para o
personagem do texto, o senhor Palomar, é preciso desconstruir para construir.
Não existem modelos ideais. Modelos são modelos, precisam ser modificados,
transformados. Em determinado momento ele defende que quanto mais modelos, mais
possibilidades se têm para “obter modelos transparentes, diáfanos, sutis, como
teias de aranha; Talvez até mesmo para dissolver os modelos, ou até mesmo para
dissolver-se a si próprio”.
